Arquivo de 30 junho, 2008

A Praça

O homem chegou à praça,
deu três voltas ao seu redor
e então suspirou. Olhou. Parou.
Retirou da mala o violino.
Afinou-o. Beijou-o. Tocou.
A vizinhança acordou de súbito,
logo abriu as janelas das casas
e acendeu suas luzes — todas.
O homem continuava na praça,
com o violino em punho,
cantando e contando sobre
um leão em Sião;
um barco no mar;
uma tenda nos céus.
A praça se encheu de gente,
gente muda, que só escutava
o coração do leão;
as ondas do mar;
a chuva nas nuvens.
O ar se aqueceu e o céu
se pontilhou de novas estrelas.
Um cheiro doce, como jasmim,
se espalhou pela praça e pelas casas.

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